Festa em comemoração de um ano da Bicuda celebra trajetória de resistência e desafios superados

20/07/2019

Foi um mês agitado! Três eventos para marcar o aniversário de um ano do núcleo Bicuda, cuja principal proposta é unir pessoas de distintos meios  (sociais, profissionais e artísticos) para compor e fortalecer sua construção. Para a comemoração de amanhã (20 de julho), algo mais do que especial: serão 15 horas de festa. O espaço escolhido - um antigo local que funcionou por dez anos como uma igreja - indica, de forma bem-humorada, o ritual que está planejado para esta edição. 

Compõem o line-up as apresentações do produtor, DJ e performer, residente da ODD, em São Paulo, Zopelar, da DJ e dona do Club 88 e da Caos Eli Iwasa, além de um b2b com Ananda V.Almeida, da DJ Due e o produtor e DJ Zani. "Além de nossos residentes Perrelli e Sheefit, que estão comigo desde o início da nossa trajetória, selecionar o line artístico para esse edição de um ano foi muito pensado nas pessoas que constroem um cenário de alguma forma contribuindo com a música", nos conta V.Almeida, curador e criador do núcleo.

Para Ananda, que tocou na 3ª edição da festa, em outubro do ano passado, voltar a tocar na festa de comemoração é mais do que um comparativo: "Vejo o crescimento da Bicuda como fruto de um trabalho consistente tanto no discurso como também na curadoria. Estou muito ansiosa para ver a festa agora, quase 1 ano depois. Tenho muito carinho e admiração pela Bicuda, por tudo que ela representa no real ativismo de inclusão de LGBTQs e mulheres dentro da música eletrônica. A pista estava fervidíssma da última vez e me diverti muito tocando e dançando nos outros sets", comenta. 

"Como performer, o núcleo representa um espaço fértil e extremamente acolhedor, onde me sinto encorajado para me expressar livremente enquanto artista visual. Já como clubber é resistência, é consciência". 

- Lana Voodoo

Marca do núcleo, também, é uma atenção muito bem concentrada à toda parte artística visual: o ativismo que se expressa através dos corpos dançantes das performers é tradição. Para a estreante Marcia Pantera, "estar no palco é minha alegria, pois faço o que amo e isso me deixa fazer o que eu quiser através dos sons, músicas e tribos". Para Lana Voodoo, performer residente e staff, a Bicuda não é só uma referência na evolução da cena underground no interior mas também um novo jeito de fazer e experienciar a vida noturna. "Como performer, o núcleo representa um espaço fértil e extremamente acolhedor, onde me sinto encorajado para me expressar livremente enquanto artista visual. Já como clubber é resistência, é consciência".

Desafios e trajetória

Como núcleo independente, o coletivo também passou por diversos desafios e precisa de apoio, como através de ajuda na divulgação ou na compra do convite antecipado. "Nós precisamos que as pessoas entendam que é uma correria sem fim para fazer um evento desse porte e que ele consiga atender as expectativas do público", explica V. Almeida. A Bicuda tem passado por muitos processos de aprendizado, mas os desafios que encontra são vistos como fortalecimentos. "É sempre um mistério já que, cada edição impulsiona a outra, e é aquele ditado: quem não é visto não é lembrado".

Mas, acompanhar o crescimento do projeto campineiro neste um ano e ver seu desenvolvimento, que vai desde a produção de uma rádio, sua própria gravadora, e até trio na parada LGBT+ de Campinas, é algo realmente digno de orgulho. "Muitas das nossas residentes na festa se desenvolveram bem mais após a abertura da Bicuda e isso é uns dos melhores resultados".

Foram muitos os artistas que passaram nas festas, entre as edições no galpão, da rádio e na rua. "E o que é mais rico na minha opinião é misturar os novos com os mais experientes, seja de outras cidades e ou com os da região, e acima de tudo, valorizar os artistas nacionais em geral", comenta a residente Sheefit. Mas, além disso, é possível observar que o público se faz cada vez mais presente. "Sem eles, sem o real fortalecimento do nosso público que vai lá pra assistir, nossos corpos dançantes, nossos fronts, nossos parceiros que tanto correm com a gente, nossa resistência, a Bicuda não seria esse choque na sociedade! Nosso muito obrigado!", finaliza V.Almeida.


BICUDA // Tappa Burako ❶ A̲̅ ̲̅N̲̅ ̲̅U̲̅ ̲̅Z 

Dia 20/07 (Sábado), às 22h00.
Som: Ananda & V.Almeida, Eli Iwasa, Due, Perrelli, Sheefit, ZANI e Zopelar.
Performer:  Kara Catharina, Lana Voodoo, Marjorie Saeki, Marcia Pantera, Marvena e Fabes / Verônica.
Visuais: ARTURO, RFLMS_, Brick by Beat, RECREIO Clubber e Luscofusc.

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