BRICK BY BEAT ENTREVISTA: LUCIANO SCHEFFER

31/07/2018


Seguindo a linha de nossa construção, damos início a um passo muito importante aqui no site: agora teremos uma aba dedicada totalmente para entrevistas, onde mensalmente traremos um dj e/ou produtor que muito significa para a cena eletrônica underground. Pensando não só em informar, mas sim aproximar, nossa entrevista teve intenção de ser aquele bate-papo leve, porém, curioso. E para tornar a experiência ainda mais sensorial, a música não estará somente nas linhas, mas também nos ouvidos, com sets em podcasts exclusivos!

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Ter Luciano Scheffer como nosso estreante é símbolo do quão começamos bem: possui indicações como um dos artistas em ascensão no cenário da música eletrônica no Brasil, é um dos artistas por trás do InProgress, recebeu diversos suportes de nomes como Hernan Cattaneo, Nick Waren, Mariano Melino, Nicolas Petracca, Guhus, dentre outros. Scheffer tem um estilo receptivo, carismático e sua energia é perceptível em suas melodias. Vamos lá, dê o play neste set feito exclusivamente para a Brick e vem conhecer mais sobre esse artista que tem ajudado no crescimento da cena progressiva paulista e que ainda veremos muito por aí e aqui!

Para começar, nos conte sobre sua formação, como dj e produtor. Como começou seu primeiro contato com a música e depois com a música eletrônica?

Olá amigos da Brick by Beat, obrigado pelo convite! Meu primeiro contato com música foi quando eu era garoto, com uns 10 anos aproximadamente, assistindo a um show do Jean Michael Jarre pela TV. Alguns anos depois, procurando encontrar algo que encaixa-se nas minhas referências, tive contato com a música do Timo Maas. Foi aí que tudo mudou.

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E quando você viu que realmente o "gostar" havia virado profissão?

Não sei se profissão é a palavra correta, hoje eu encaro a música de forma muito séria mas sem deixar de me divertir sempre, seja tocando ou produzindo. Faz uns cinco anos que vejo dessa forma.

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Quais foram suas maiores influências, as que marcaram sua formação?

Influência de caráter meu pai, rsss. Agora musicalmente, Jean Michael Jarre é a principal fonte.

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Quais são ou foram os maiores desafios e dificuldades que você enfrenta e enfrentou em sua carreira?

O maior desafio de todos é nunca deixar de se atualizar e estudar. Sempre dá para evoluir um pouco mais e aprender algo novo!

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E qual foi o momento que você considera o mais marcante na sua carreira?

Sem dúvidas, foi meu primeiro suporte do Maestro Hernan Cattaneo, no Warung Day 2017 em Curitiba. Aquele dia foi foda (risos)

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Mas confirmando, você estava lá? Viu ao vivo? Que incrível! Eu sei que é difícil mas, tenta explicar para a gente a sensação...

Eu estava lá... Tenho gravado! Bah, é muito foda e intenso... só sei isso (risos)


Hernan Cattaneo no Warung Day 2017 tocando a track Clearance de Scheffer
Hernan Cattaneo no Warung Day 2017 tocando a track Clearance de Scheffer


A respeito do núcleo InProgress, no qual você faz parte. De onde surgiu a ideia? Nos conte mais qual é o principal objetivo?

Os fundadores do Inprogress são o Fernando Goraieb e o Chapo. Com o tempo o Gora me convidou para ajudar a tocar a marca. O Inprogress é um núcleo formado pelos djs Fernando Goraieb, Alec Araujo, Fabiano Feijó, Gabriel Diego, Gui Milani, Henrique Martinez, Midnal, PAN, Pedro Capelossi, Pk Live, Posher, Thiado D'Jesus e a Débora Conde. Nosso foco é fortalecer o progressive house, pois a cena no Brasil era muito fraca e o núcleo foi uma forma de juntar vários talentos em prol desse objetivo. Hoje temos um show semanal na web rádio Nube Music (Argentina) e também fazemos showcases por vários estados do Brasil!

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E o que o projeto já proporcionou?

Além de conhecer vários talentosos djs e produtores, fazer novas amizades e conhecer novos caminhos de produzir e tocar Progressive, deu a chance de tocar em vários lugares pelo Brasil! Destaco nossas passagens pelo D.Edge (SP) e River Club (RS). Foram noites inesquecíveis nestes lugares!

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E como você enxerga a cena underground em São Paulo? Você vê um crescimento nos últimos anos? E o que você imagina que tende a acontecer nos próximos?

A cena hoje em São Paulo está bem maior do que há um ano. Vejo vários bons núcleos crescendo e se organizando. Tanto na capital quanto no interior. Além de ótimos novos djs ganhando espaço.

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Como você espera contribuir para a evolução dessa cena underground?

Acredito que a melhor forma de ajudar a fortalecer a cena é se aprimorando e estudando cada vez mais. Pois com vários nomes fortes e de qualidade, a cena como um todo fica forte. E claro, além de aprender, sempre que possível, dividir conhecimento com os outros.

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Você se classifica em um determinado estilo? Quais são as suas preferências e o que gosta de ouvir?

Certamente meu estilo principal é o progressive house, mas quando toco não procuro por rótulos e sim por música boa e que encaixe no estilo que gosto de tocar.

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O que te inspira a criar um set ou uma track?

Escutar muita música para alimentar a mente, abrir uma cerveja e deixar fluir.

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Existe uma rotina para que suas produções aconteçam?

Procuro sempre estar mexendo com música, mesmo que por pouco tempo, o truque é ter contato com música todos os dias.

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Qual conselho você daria para quem está começando a produzir?

Vou dar o mesmo conselho que dei um uma outra entrevista há algum tempo: muito estudo, muito trabalho, paciência para não lançar qualquer música e jamais se comparar com outros produtores. Cada um tem seu tempo de evolução e amadurecimento. Trabalhando duro, com muito empenho e com foco na qualidade das suas músicas, as coisas vão acontecer.

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Você já recebeu algumas indicações como uns dos artistas em ascensão no cenário da música eletrônica no Brasil. Como é ter esse destaque?

Cada suporte, cada citação, cada like, é combustível pra continuar seguindo em frente e fazendo um trabalho cada vez melhor! Tocar pra uma pista como a do D.Edge e sentir que a galera ta gostando, cada música que aparece em algum chart pelo mundo, é uma alegria, uma sensação que não tem preço!

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Quais nomes de djs e produtores que você ache importante a gente ficar de olho?

Acredito que no Brasil hoje temos vários nomes em destaque, com boas produções e fazendo barulho pelo mundo. Alec Araujo e Goraieb lançaram um EP que ficou entre os cinco melhores no release promo. O Morttagua também vem fazendo um trabalho forte, e também tem a Blancah, Danny Oliveira, Feemarx, Gabriel Carminatti, Pedrada, Be Morais e uma galera nova como JohnnyV, Pedro Capelossi, Andre Moret, Kaito Aman, Ge Bruny, FerJ, Felipe Novaes, Yudi Watanabe, Ca Cimino. Também cito a Zene Agency, onde faço parte do casting junto com ótimos djs e produtores sendo que entre eles cito o Paulo Foltz que já teve músicas tocadas por grandes nomes do techno mundial... Tanta gente boa e eu provavelmente esqueci alguns! O fato é que é muito legal estar entre essa galera fortalecendo a cena!

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Em sua opinião, você acha que existe espaço para a música underground  no cenário atual eletrônico ou você acha que está perdendo espaço para o mercado mais comercial?

Acho que tem espaço para todo mundo!

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Através da música, somos levados a sensações e sentimentos que transcendem o "explicar". Pelo menos é isso que nós da Brick by Beat acreditamos. Você tem exemplo de um momento que sentiu algo parecido?

Certamente, volto no episódio quando o Maestro tocou minha música no Warung Day 2017, foi uma sensação difícil de explicar, mas com certeza algo que só a música poderia proporcionar.

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E para finalizar: nas horas vagas. O que gosta de fazer?

Estar com minha esposa, sofrer com meu Tricolor (São Paulo Futebol Clube) e tomar uma gelada com os amigos! :-)