BRICK BY BEAT ENTREVISTA: PEDRO CAPELOSSI

01/10/2018

Somos inteiramente gratos por todas as pessoas que colaboram conosco, dedicando seu tempo, sua parceria e principalmente sua arte. Como admiradores, é incrível ver esses artistas e amigos tomando espaço, ganhando o mundo, em estado de realização. Essa ideia coletiva que nos move.

O nome em nossa entrevista do mês, é, indiscutivelmente, uma dessas pessoas: com diversos lançamentos internacionais e nacionais, gigs em Ibiza, residência no Valhalla Progressive em Barcelona, cujo próximo evento será realizado em parceria com a We Must, Pedro Capelossi escreve seu caminho no cenário da música com base Europeia. Como a maior inspiração aqui da Brick é tudo que envolva crescimento, ninguém melhor do que ele para nos contar como está sendo esse este momento de evolução que, como o próprio Pedro diz, "está apenas no começo". Ouça e acompanhe conosco: 

Olá Pedro, tudo bom? É um grande prazer ter você aqui conosco! Nos fale sobre seu começo na música, qual foi seu primeiro contato e posteriormente com a música eletrônica?

Olá! Tudo ótimo! E antes de mais nada parabéns pelo excelente trabalho que vocês vêm fazendo, muito legal a valorização aos artistas nacionais, festas menores e maiores etc... Vida longa ao projeto! 

Meu primeiro contato, vamos dizer "sério" com a música eletrônica (que não seja ouvi-la por acaso na rádio etc.), foi quando com apenas 17 anos caí de paraquedas em uma rave chamada SP GROOVE, em 2003, na clássica fazenda Arujabel. Foi uma festa de Acid Techno e ali descobri um universo totalmente novo e maravilhoso. Era uma festa de dia, no gramado da fazenda, a energia das pessoas era incrível, a música mais ainda. Foi algo inesquecível. Dali pra frente comecei a frequentar festas de techno principalmente, como a própria SP Groove, Techno Pride, Techno Route, Circuito Techno (onde cheguei a ser até promoter) dentre várias outras.


Nos anos seguintes fui desenvolvendo meus gostos, experimentando outras coisas, conhecendo e acompanhando DJs e Labels. 2008 foi um ano marcante para mim. Foi quando me apaixonei pelo trance após assistir uma apresentação de Armin Van Buuren no Skol Beats. Foi ali que me envolvi bastante com a cena trance e passei a acompanhar DJs como o Markus Schulz - para mim o melhor DJ que há no quesito versatilidade: ele vai do progressive house ao techno, do comercial ao trance, a depender da apresentação e às vezes tudo isso em um set de 12 horas. Nessa mesma época também tive o primeiro contato com o progressive house em uma gig do John Digweed, na antiga Pacha de São Paulo. Portanto, desde essa época sou apaixonado pelo house, techno e pelo trance.

A partir daí meu gosto pelo techno e pelo house principalmente, começou a se desenvolver. Foi aí que comecei a acompanhar alguns DJs como por exemplo, o DJ Murphy, Carl Cox, DJ Rush, Geezer, Chris Liberator e especialmente Dave The Drummer.


E como começou seu processo de formação e estudo?

Sou entusiasta da música eletrônica desde quando pisei na primeira rave. Com o tempo me tornei um verdadeiro "geek" no que diz respeito a baixar músicas, conhecer as labels, saber sobre os DJs, clubs etc. Quanto a ser verdadeiramente um DJ, creio que a coisa foi se aflorando pouco a pouco. Desde 2006 mais ou menos sou conhecido nas minhas turmas como o responsável por colocar as músicas pra tocar nas festas e churrascos (com iPod/cd mesmo), apresentar novos sons e DJs, encontrar as melhores festas, fazer playlists para amigos e tal. Me lembro que em 2009, por exemplo, já brincava no Virtual DJ, mixando com o mouse mesmo e me divertindo em esquentas e mini festinhas com minha atual esposa, com amigos etc.

Foi em Ibiza em 2012 - ao conhecer o Rey Vercosa (parte do duo "Hidden & Deaden") - gênio absoluto, com quem sou muito feliz por ter produções conjuntas atualmente - que me deu de fato um "click". Me lembro que andando de carro pela ilha, falando sem parar sobre labels, os nomes das músicas que tocavam nas festas e tal, o Rey me disse 'moleque, o mais importante você já tem que é o conhecimento maior que de muitos DJs, vontade de pesquisar e o bom gosto. Porque não começa a tocar logo de uma vez?'. E assim foi! Cheguei dessa viagem e comecei a fazer aulas com amigos e aprendi a tocar. Nesse mesmo ano comprei minha primeira controladora Traktor e de lá pra cá foram dezenas de equipamentos, CDJs, Mixers etc. etc.


E mesmo sendo recente, sua carreira tem tido uma evolução muito rápida em um ano bem produtivo. Fale para a gente sobre esse período e os principais resultados que vêm colhendo?

Falando em produção, comecei recentemente, em 2017. Não sei porque demorei tanto, na verdade pensava que era quase impossível fazer aquelas tracks tão boas que eu tanto gostava e gosto de tocar, mas enfim tive um grande incentivo do meu experiente amigo Flavio Grifo, que teve disposição e paciência para me dar as primeiras aulas. Outras pessoas me ajudaram muito no meu processo de evolução como o Kaito Aman, que me ajudou a acreditar mais no meu potencial e me ajudou com meu primeiro release, e também o Luciano Scheffer que sempre me ajuda bastante com dicas, críticas construtivas, trocas de experiências, etc.


Meu primeiro release foi nesse ano de 2017 em uma label pequena chamada Stereo Enchained da Suiça. De lá pra cá tenho me dedicado bastante e esse ano tenho releases em labels bastante fortes no meu estilo atual (progressive house), como Soundteller, Stellar Fountain, Clinique Recordings e Electronic Tree, para citar algumas.


Além dos releases, tive suporte de grandes nomes como Marcelo Vasami e Antrim, para dizer dois internacionais de destaque. Uma grande felicidade que tive esse ano é ver músicas minhas remixadas pelas minhas principais referências do progressive house nacional como o Alec Araujo, Luciano Scheffer, Carla Cimino e Goraieb, assim como pelo Julian Nates da Argentina, que é um gênio. Todos grandes amigos. No próximo ano pretendo ainda estudar produção musical em Barcelona, onde vivo, na "SAE" - renomada instituição. E ainda estamos em setembro... Ou seja, é só o começo!


Não tem como não perguntar sobre suas maiores influências, quais mais marcaram sua formação:

Como DJ certamente todos os nomes até agora aqui citados - justamente por terem sido citados - me influenciaram. Acrescento aqui meus sócios na UniK ID: Gui Milani e PK Live, que sem dúvida me ajudaram a elevar o nível.

Como produtor, acrescento a essa lista obviamente Guy J (para mim o melhor produtor que existe), Forerunners, Subconscious Tales, Dimuth K, Cid Inc, Navar, Dmitry Molosh... A lista é grande!


E no Brasil, quais são os artistas da música eletrônica que você admira?

São muitos! Além de todos que já mencionei acima destaco por exemplo nomes como Gui Boratto, Danilo Ercole, Blancah, Anna e Renato Ratier que cada um em sua maneira, além de contribuir internamente, também levam o nome do Brasil para fora.


O quanto reflete em seu momento hoje, o incentivo e até mesmo as dicas e críticas recebidas dos seus amigos djs e produtores?

Toda crítica excessiva assim como todo elogio excessivo é perigoso. Tanto por te colocar muito pra baixo quanto por te colocar muito pra cima. Além do que vêm de fora, é essencial fazer sempre uma auto crítica. É evidente que muita gente me ajudou e me ajuda, recebo muitos feedbacks construtivos (sejam eles elogios ou críticas), mas muita coisa aprendi sozinho pela tentativa e erro, entendo que é essencial trilhar o seu próprio caminho sem prestar atenção excessiva no que os outros dizem sobre você. Escute, filtre, assimile o que puder e siga o seu coração.


E qual conselho/incentivo você recebeu e daria para quem está começando a produzir como você esteve um dia?

Basta querer! Não é impossível! Busque um curso ou um amigo com boa vontade, vá atrás do equipamento mínimo (um computador e um fone te permitem começar tranquilamente) e se dedique. São horas, dias, meses, quem sabe anos até sair algo bom, mas não desista! Se eu consigo você também consegue, desde que haja tempo e dedicação.


Você é um dos idealizadores da Unik ID (já fizemos uma máteria sobre o projeto), responsável por trazer nomes como Nick Warren, Darin Epsilon e Cid Inc, o que tem contribuído muito para a expansão do progressive house na cena independente de São Paulo. Fale um pouco de onde surgiu a ideia do projeto e quando vocês viram que era possível trazer nomes tão bons para cá?

A UniK ID, resumidamente, surgiu do sonho dos sócios e ex sócios em levar o progressive house não óbvio, no seu mais alto nível, ao público brasileiro. Foi no Amsterdam Dance Event em 2016 que eu e o Gui Milani tivemos o primeiro contato pessoal com o Henri (Cid Inc) e seu agente, e ali vimos que era tudo possível. Hoje somos felizes pela contribuição que damos para a cena, inclusive incentivando novos núcleos, novos DJs etc. Essa parte é muito gratificante.


Basicamente o que tem funcionado como seu processo criativo e de pesquisa? Existe uma rotina, ritual?

Nada em especial! Sou uma pessoa que adora acordar cedo e produzir. De vez em quando gosto de me desligar um pouco para deixar novas ideias fluírem. Esse ano tenho viajado muito pela europa e ido a diversos festivais, isso me ajuda muito na inspiração. Escutar novas produções de outros artistas, podcasts e também outros tipos de música é muito importante.


Você se tornou residente na festa Valhalla Progressive em Barcelona, e também tocou recentemente em Ibiza. O que foi determinante na sua decisão de ir morar na Europa? Antes de ir você já visualizava a possibilidade dessas oportunidades?

Resolvi ir para a europa por um conjunto de fatores, como a desilusão total com o Brasil no que diz respeito principalmente a política e segurança, e também para poder me dedicar mais a música de várias maneiras.

Essa decisão me permitiu conhecer três novos amigos, os DJs Ryan, Kali Mist e Rivellino, que por sorte estavam começando um projeto sensacional e pioneiro em Barcelona. Tive muita sorte de cruzar com eles no começo dessa história e de agora poder fazer parte dela.

O projeto já foi apresentado em grandes clubes de Barcelona como o Club M7 - onde se apresentaram Marcelo Vasami, Kamilo Sanclemente, Juan Pablo Torrez, Ewan Rill dentre outros.

Em outubro teremos uma edição mais do que especial apresentando Mariano Mellino, Interaxxis, Antrim dentre outros grandes DJs no Cafe del Mar Lounge Barcelona.

Agora uma pergunta para descontrair... Além de tocar e produzir, o que gosta de fazer nas horas vagas?

Comer Jamón e beber cerveja! haha Além disso viajar e conhecer novos lugares! Gosto bastante de esportes, mas confesso que esse ano o principal tem sido levantamento de copo! hehe


Para finalizar, nós aqui da Brick somos apaixonados pelas sensações que a música proporciona. Você pode citar um momento que te vem à cabeça em que você tenha sentido algo parecido com isso que a música lhe trouxe, esse sentir-se completo e realizado?

Acho que de vez em quando paro para pensar na vida e essa sensação aparece... Geralmente é um momento em que tenho uma vista linda pela frente, seja em uma bela praia, numa estrada ou olhando pela janela de casa mesmo. 

Hoje me sinto completamente realizado ao ver tudo o que tenho e já conquistei. Nunca poderia estar tão feliz casado com uma mulher maravilhosa que me apoia em tudo, em morar em uma cidade que tanto amo e que nos acolheu, em ter conquistado tudo o que até o momento conquistei e saber que ainda há muito mais para viver e para conquistar. 


[+]Para acompanhar Pedro Capelossi::

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