Em tour pela Índia, Alex Justino fala sobre destaques de treze anos de carreira 

05/08/2019

DJ e produtor experiente, Alex Justino viu na música eletrônica a versatilidade necessária para transitar em diversas vertentes, mas sem deixar sua preferência característica no techno. Desde então, passagens por grandes clubs do país, criação de um selo conceituado e gigs internacionais que vão da Muralha da China até a segunda tour para a Índia em agosto: estes são alguns dos pontos que descrevem a carreira de mais treze anos do músico goiano. 

Olá, Alex! É um prazer falar com você. Vamos começar nossa entrevista com música? Quais as tracks mais te marcaram em todos estes anos de carreira? Há alguma que possui um sentimento especial para você?

O prazer é todo meu. Músicas sempre fizeram parte dos principais momentos da minha vida e sempre acho difícil escolher algumas ou até mesmo colocar em um ranking. Algumas que acho que ouvirei eternamente são: 


Em que ano exatamente você começou a discotecar e produzir? Como chegou no techno?

Comecei a me interessar com 17 anos, com 18 comecei a tocar nos clubs. Isso em 2006, aproximadamente. Quando comecei a discoteca de fato o Techno já fazia parte, mas se misturava ao Electro e Minimal no meio dos sets. Depois disso fui mudando um pouco e entrando no House e deixando o techno de lado. Ele voltou a ser protagonista nos meus sets há uns 4 anos e acredito que ainda iremos muito longe juntos!


Ainda falando sobre o tempo de carreira, qual o momento mais gratificante dela até aqui?

Realmente é muito difícil falar do momento mais gratificante, pois são tantos. É gratificante quando o Capriati toca sua musica na BBC Radio 1 no Especial de Natal, tocar na muralha da China, estar andando pelo mundo e vendo as pessoas se conectarem com o seu som, ser reconhecido em outro país enquanto anda na rua. Todo reconhecimento relacionado à musica é gratificante. Difícil falar o que é mais. 


Qual origem do nome Nin92wo? E o que de melhor lhe proporcionou ao comandar a própria gravadora pessoalmente e profissionalmente? 

O nome veio relacionado ao ano de 1992 e até me arrependo de ter colocado os números no lugar das letras para formar o Nine Two, pois, diversas vezes já tive que ficar explicando uma coisa que na minha cabeça era meio obvia naquele momento (talvez por ser jovem na internet e sempre ver as letras sendo trocadas por números). Mas a gravadora no geral é só alegria. Trabalho com o tipo de musica que gosto, com os artistas que admiram a gravadora, sempre movimentando alguns eventos e contando histórias através da música. Pessoalmente ela acabou me trazendo bons amigos pelo mundo todo, que provavelmente não teria de nenhuma outra maneira.


Para quem ainda não conhece o trabalho do selo, quais são os lançamentos que você recomendaria? Existe algum que foi um ponto de virada para o reconhecimento que a Nin92wo possui hoje?

Dos mais recentes recomendo ouvir os EPs: Free Fly, do Andre Salata, Encounters do KaioBarcelos, e a série Arquétipo, que conta de forma ampla o que levamos de som. Quanto ao ponto de virada, isso não aconteceu do nada. Foi uma série de lançamentos, trabalho e planejamento que nos trouxe onde estamos hoje. Acho que a constância e o trabalho sólido geraram estes resultados.


Os eventos com a assinatura da Nin92wo receberam boa uma aceitação, certo? Qual exatamente a diferença entre Shadow e Lost and Found? O que cada uma tem de especial?

A Shadow realizamos com uma constância maior por ser um evento menor, a sonoridade dela é mais obscura, além de tentarmos levar o lado B do techno, experimentar mais e montar um ambiente propício para isso. A Lost and Found realizamos duas vezes ao ano no máximo, com artistas mais conhecidos do público (na maioria das vezes). 

Imagino que de certa forma a gravadora também ajudou na ampliação da sua imagem fora do Brasil, certo? Você já tocou por Alemanha, China e agora, pela segunda vez, parte rumo à Índia. Há uma preparação diferente para essas apresentações internacionais? 

Existe sim. O trabalho de todo DJ é fazer a leitura das pistas que vai tocar para tentar atender. da sua maneira, a melhor forma possível. Tocar em outros países é sempre ter muito na mão vários caminhos para desenvolver um set interessante naquele ambiente. É necessário conseguir transitar bem em eventos diferentes, pois você pode tocar em um club para 50 pessoas ou um festival para 5.000, e existem caminhos diferentes para o DJ nesses casos. A experiência ajuda muito essas horas. 


E para esta próxima turnê na Índia que começa agora em agosto (dia 09 em J.W. Marriott - Kolkata, 10 em The Leather Bar - Chennai e 11: Aqua - The Park - Bangalore. Quais são os planos? Nos conte, como é a experiência de se apresentar para o público indiano?

A Índia me acolheu muito bem, e foi uma conexão natural. Estou voltando pela segunda vez como já disse para uma tour de 1 semana com 3 eventos. Tocar na índia é algo que nunca imaginei e a experiência que tive lá foi ótima. Para falar a verdade, não esperava ver uma pista dançando tanto e tão conectada com meu som. Consegui construir uma história musical entre os sets que conversava muito bem com minhas musicas autorais e o gosto do publico nos eventos que toquei. Mal vejo a hora de chegar lá novamente!


E como foi se apresentar em plena Muralha da China? 

Foi uma experiência magica! Nunca na vida havia imaginado nem ir a Muralha da china, quanto mais tocar. o Chinês é um publico muito peculiar devido ao regime que eles vivem, e a musica eletrônica lá anda de outra forma, pois eles não tem acesso a Youtube, Spotify e outros grandes meios que são populares no resto do mundo. Então a pista na China é sempre uma aventura pois da mesma forma que ela foi novidade pra mim, fazer meu live lá era algo totalmente novo para eles também. Essa troca gera uma adrenalina grande e a pista de dança no YinYang (festival que acontece na Muralha) durante o meu live foi incrível. Além da Muralha toquei também em Beijin, Shanghai, Shangdu, e fiz live para um grand streaming Chinês.


Seu live act estreou há pouco mais de 2 anos. Você considera que neste formato seu potencial sonoro é ainda melhor? O que mudou destes dois anos para cá no seu live act?

No momento estou com o live passando por transformações, fora das pistas, para voltar com um novo layout em breve. O live act é a forma mais intensa de um artista mostrar sua obra para o público.


Para fechar: acreditamos que a capacidade de renovação e transformação é essencial para um artista. Como você tem buscado se reinventar neste mercado tão veloz? 

Acredito no meu gosto musical e tento sempre escutar o que acontece nas diversas cenas eletrônicas pelo mundo. No estúdio tento misturar o conhecimento com meu feeling naquele momento e ir criando. Sempre em movimento!

Para acompanhar Alex Justino: